sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Inscrições abertas para oficina de teatro em Contagem




Estão abertas as inscrições para a “Oficina de Teatro Épico” com Jessé Duarte da “Cia. Crônica de Teatro” no “Espaço Bartô” em Contagem. A oficina será realizada nos dias 19, 21 e 22 de setembro (sábado das 14H00 às 18H00, segunda e terça, das 18H30 ás 22H00).

Investimento: R$ 30,00 

Para participar basta se inscrever pela internet (fomulário abaixo ou clicando aqui) e aguardar um e-mail de confirmação com maiores informações. 

Evento no face: https://www.facebook.com/events/402351486556007/


Sobre a oficina 
Voltada para interessados com ou sem experiência em teatro, a oficina proporciona uma introdução ao universo do fazer teatral critico, desenvolvendo-se a partir dos fundamentos do teatro épico-dialético e de estudos sobre Bertolt Brecht. São utilizados jogos e exercícios (corporais, musicais e de criação de músicas e cenas) que norteiam o processo de criação na Cia. Crônica e/ou que foram descobertos ao longo de trabalhos no grupo. A oficina propõe uma abordagem de ponto de vista histórico sob a sociedade atual para investigar suas contradições e projetá-las na cena. 

Equipe: 

Jessé Duarte é escritor, diretor e ator de teatro, batuqueiro e artista popular. Nascido na Vila Joana d'Arc e crescido na Vila da Paz, em Contagem (MG), autor do livro “Colorido só por fora: contos periféricos” (2015. Ed. Independente) e Integrante e fundador da Cia. Crônica de Teatro onde se dedica a construção de um teatro épico-dialético aliado à realidade desde 2009. Também em 2009, articulou junto a outros artistas o inicio do Fórum Popular de Cultura de Contagem, plataforma independente que, a partir de seus debates, impulsiona várias ações na cidade, dentre elas: Apoema Sarau Livre, (organização desde a fundação em 2013); Bloco Maria Baderna, (regente e batuqueiro desde a fundação); F5 – Festival de Cultura Independente de Contagem, (coordenação e organização anualmente); site Guia Cultural de Contagem (Conselho editorial) e tantas outras ações impulsionadas a partir da troca e do compartilhamento em torno da cultura e a cidade. 

Tobias Santos Teixeira é músico independente da cidade de Contagem. Preparador e arranjador da Cia. Crônica de Teatro. Lançou seu primeiro CD “Lapso” em 20015, gravado com ferramentas livres e disponibilizado gratuitamente na internet. Articulador do Fórum popular de Cultura de Contagem está envolvido várias ações compartilhadas na cidade.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

A Cia. Crônica de Teatro volta a realizar ensaios na rua após ter espaço fechado

Ensaios, reuniões e atividades de formação da companhia passarão a acontecer em Praça Pública de Contagem (MG), mais pelo descaso, do que por escolha.

Para a Cia. Crônica essa noticia poderia ser dada apenas como uma expressão de nosso desejo e alegria, de nossa vontade latende de sempre compartilhar processos de criativos e nossas relações de trabalho. Mas infelizmente, a realidade não é bem esta. Corremos o risco de sermos expulsos sermos expulsos de vez do espaço onde realizávamos nossas atividades, a Casa do Movimento Popular que se encontra fechada com todos os nossos materiais desde dezembro. A necessidade de (r)existir com um teatro critico, popular e comprometido com a nossa realidade social continua nos motivando e nos dando forças.
Foto da Peça Coragem, releitura de Mãe Coragem e Seus Filhos de Bertolt Brecht, construída dentro da Casa do Movimento Popular.
A realidade do teatro Brasileiro é a do descaso do poder público, da mercantilização e precarização do trabalho artístico, da falta de acesso para a maioria esmagadora da população e, neste momento em Contagem (MG), sentimos ainda mais esta realidade. Mesmo sendo uma das companhia mais atuantes na cidade, não só com espetáculos mas também com cursos e oficinas que formam dezenas de pessoas anualmente, nos encontramos sem nenhum apoio do poder público, sem nenhuma lei de “isentivo a cultura”. Hoje sobrevivemos das relações de troca e compartilhamento entre nós mesmos, do desejo de nos manter vivos e abertos à quem quiser trabalhar e lutar, com e pelo teatro.  Nossos atores a trizes se submetem a dupla ou tripla jornada de trabalho para submetem suas famílias e seus sonhos: Em fábricas, comercio, hospital, escolas públicas e ainda tem o trabalho doméstico que pesa mais sobre as atrizes que são mães e mesmo assim saem de casa em busca de suas vontades e direitos de ocupar o lugar de protagonismo nas nossas criações critica. Sobrevivemos a mais de cinco anos saindo e votando para a rua muito mais pelo descaso do que pela escolha.

Neste momento especificamente estamos na rua porque o espaço em que realizávamos nossas atividades, a “Casa do Movimento Popular” foi fechada por pessoas ligadas a um grupo politico que deseja usar do local passando por cima de sua função social. A Casa do Movimento Popular é um importante espaço da cidade construído em meio à muitas lutas operárias ainda na época da ditadura militar. A anos o local estava fechado e juntos de outros movimentos e grupos e independentes realizávamos neste espaço, um trabalho de reativação e acolhimento de diversas atividades culturais, educacionais e sindicais da cidade. Em menos de um ano de mobilização e trabalho coletivo, a Casa se tornou um espaço de referência para artistas e população em geral. Em detrimento de uma parceria com a OAB, para a instalação de uma suposta TV “Comunitária”, fomos botados pra fora sem nenhum dialogo e junto de nós, dezenas de grupos e atividades. No entanto ainda aguardamos uma resposta sobre essas ações autoritárias de um grupo politico.
Foto da Peça Coragem, releitura de Mãe Coragem e Seus Filhos de Bertolt Brecht, construída dentro da Casa do Movimento Popular.
Desde o mês de dezembro estamos sem acesso ao local. Nossos figurinos, cenários e até documento estão trancados. As chaves foram trocadas, um muro de lata foi construído na estrada e um vigia noturno foi contratado. Não tivemos sucesso em nenhum pedido de reunião com esse grupo politico, que é responsável por essa medida de aparelhamento de um espaço que deve servir aos movimentos populares. E ainda, omo é uma associação da cidade e região metropolitana, o local deveria realizar eleições e para qualquer intervenção estrutural, deveriam ser realizadas assembleias convocadas de forma ampla (como rege o estatuto). No entanto o que estamos vivendo não é isso, a casa esta em obra e a direção gira entre as pessoas de um grupo politico que não divulga, não integra as pessoas nos processos, não respeita o estatuto, nem a história e função social do local.  CLICANDO AQUI VOCÊ PODE ENTENDER MELHOR O QUE ESTÁ ACONTECENDO.

Estamos na rua, enfrentando essa realidade de completo descaso e desrespeito. Mesmo assim, manteremos nossas atividades de formação, nossas apresentações em locais não convencionais, retornaremos nossos ensaios e colocaremos nossa adaptação de Mãe Coragem de Bertolt Brecht (Também espetáculo de rua) para rodar. O teatro popular, critico e dialético deve resistir e se reinventar na luta cotidiana pela sua sobrevivência no contato direto com o povo. Estamos na rua e a rua sempre foi nossa indenidade, e luta também!

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Todos Pela Intolerância, texto de Tobias Santos Teixeira











Crônica de Tobias Santos Teixeira, na nossa coluna Artífices da Palavra. 

Tobias, arranjador e preparador vocal e musical da Cia. Crônica de Teatro. Ativista cultural e incansável articulador da cultura independente em Contagem, também dedica a vários trabalhos na área da música. É professor do município de Betim (MG) formado em música.






Todos Pela Intolerância!
de Tobias Santos Teixeira

É inadmissível um jovem nos dias de hoje não ter a mínima noção de limites, e o cidadão de bem ter de conviver com ele nas ruas, nas festas, às vezes até dentro de casa!

Mas o que é realmente inadmissível? Não termos o mínimo senso de equilíbrio com a natureza, sujando a água antes de bebê-la, ocupando o solo retirando toda a riqueza de recursos e de seres vivos. Não darmos o exemplo pros jovens antes de cobrar limites e atitudes cidadãs, não mostrarmos o mínimo cuidado com o próximo, com demonstrações de corrupção e violência no comércio, no trabalho, na política, na justiça, na igreja, na família. E é inadmissível não cuidarmos da juventude, que está em grande parte abandonada, e depois culpá-la pelo modo como se vira sozinha.

Será que existe algum simbolismo relacionado à semana santa? Será que estamos tão permeados assim pela crença de que uns tem de se sacrificar para os outros serem salvos?

A intenção deste texto seria mostrar a contradição que é botar a culpa no jovem enquanto não damos nenhuma referência de ética ou cidadania pra ele. Mas fica um desgaste até em argumentar, pois não existe um respeito pela discussão. As decisões sobre os caminhos da sociedade são oportunistas, atendem a interesses de quem tem poder econômico, de persuasão, de manipular informações, e reforçam justamente as ações injustas que são necessárias para se acumular esse poder.

Já que o exercício em voga é o da intolerância, que tal sermos intolerantes com toda falta de racionalidade e sensibilidade? Intolerância a tudo que põe em xeque nossa vida neste planeta. Intolerância ao sofrimento gratuito promovido por guerras e disputas econômicas. Intolerância à segregação por credo, etnia, sexualidade, julgamentos de valor de toda espécie. Intolerância às revoluções de fachada que nunca mudam realmente o ser humano e não nos tiram do lugar cômodo. E sejamos intolerantes sobretudo com justificativas para excluir e marginalizar sujeitos como se não tivessem o mesmo direito de participar da história dessa humanidade.

Toleramos ricos que roubam, mas pobres não. Toleramos toda mentira vinda de gente importante, nos enganamos indo na onda deles sobre o que é melhor pro país. Os sensatos e honestos, vemos serem ridicularizados e não fazemos nada, mesmo quando se trata de nossa água, de nossa saúde, de nosso dinheiro, nossa liberdade de ir e vir. Violência? Ninguém gosta quando é contra ele, até onde eu saiba! Mas se vem de cima, sempre há uma justificativa, dizemos que não havia outra saída. Se vem de baixo, da ralé, de gente que é a mesma bosta que a gente, ah, responde-se na mesma moeda, de acordo com a força de cada um, é ou não é? Se um sofre mais violência do que o outro, tolera-se, pois assim é o mundo.

Reduzir a maioridade penal é um reflexo de nossa inabilidade em enfrentar de frente as raízes dos problemas que temos com a juventude, e da nossa cabeça dura em não olhar pros problemas da juventude. Cada um preocupado com si mesmo, resultando na radicalização de um sistema baseado na pressão social. Ignoramos que o problema é nosso, e falhamos  mais uma vez ao não tentar tornar esses jovens parte da solução.

sexta-feira, 20 de março de 2015

A Novela do Cão de Marcelo Dias Costa

Texto teatral completo de Marcelo Dias Costa em nossa coluna Artífices da Palavra. 

Por ser contrario a propriedade intelectual,  o autor declara público o direito de utilização desta obra para qualquer fim artístico e cultural, solicitando apenas que sua identidade seja preservada enquanto autor da obra. 

Marcelo Dias Costa é jornalista, poeta e dramaturgo, integra a Cia. Crônica de Teatro e também é articulador do Fórum Popular de Cultura onde participa e constrói várias ações na cidade. Lançou o livro "Manifesto Escarnio Poético" pela editora Saramadaia que já tem edição esgotada e recentemente realizou a publicação independente de seu novo livro "Inutrealidade, teatro aos que tem fome" e idealizou o Poetas de Segunda.


quarta-feira, 11 de março de 2015

Monarquia Celestial (universo paralelo) _ John Redizer

A nova publicação em nossa coluna de "Artífices da Palavra" é um poema do jovem John Redizer. Músico e poeta da cidade de Contagem, nosso jovem artista também está se lançando na escrita dramatúrgica e no estudo do teatro épico após participar de cursos e oficinas da Cia. Crônica de Teatro.


Monarquia Celestial (universo paralelo)

"A um universo paralelo
onde os objetos são valiosos
e os sentimentos não tem valor

Transformaram em um cruel jogo de interesses o que um dia a humanidade conheceu como amor

Nesse lugar tudo tem preço até mesmo a honestidade
Alimentam um mostro chamado moda
Com refeições diárias de vaidade

Lá todo mundo e cego,  só encheram o que é permitido pelo poder divino
Lá todo mundo é mudo, só a mãe mídia dita a verdade absoluta
E quem luta, é ridicularizado pelos que de boa fé comungam com sua própria escravatura

Lá não usam nomes pra mais nada
quando nascem são tatuados com código de barra
Implantam um chip dentro de suas cabeças
Pra fazer com que o povo de lá nunca se esqueça
Que a empírica pirâmide deve seguir
as ordens da Realeza

Em salmo responsorial eles cantam

_Quem está no comando!?
_Vida longa ao Capitalismo desumano
_Quem está no comando!?
_Vida longa ao capitalismo desumano

Quem está no comando!?
Quem está no comando!?

A fome é a rotina do dia dia
Pra que a miséria traga decadência a toda mente que ainda esteja sã
Os frutos são postos sobre a mesa mas todos os dias no café da manhã
Se distribui 39 chibatadas pra quem morder a maçã
"Deus salve a rainha" e seu belo vestido azul e vermelho tecido pelas mãos de satã

Depressão é a nova gripe a nível mundial
Crack é vendido como anestesia na porta do hospital
Violência é fonte de renda que movimenta o capital
Tudo corre dentro dos planos da monarquia celestial

Em salmo responsorial eles cantam

_Quem está no comando!?
_Vida longa ao Capitalismo desumano
_Quem está no comando!?
_Vida longa ao capitalismo desumano

_Quem está no comando!?
_Quem está no comando!?

terça-feira, 10 de março de 2015

MOSAICO - Estudo cênico em pequenas peças

Estreou em 2014

Trabalho realizado por Jessé Duarte, consiste em realizar pequenas apresentações teatrais em ônibus municipais e intermunicipais de diferentes cidades. Cada apresentação é composta por um ato de um mosaico de cenas criadas a partir de poesias, textos literários, teatrais clássicos e autorais. Caminhando com um horizonte de pensar formas de democratização do acesso à cultura no contato direto com a população, o objetivo do trabalho é reunir elementos que potencializem os estudos da companhia em torno do fazer teatral popular, observando as interferências desta arte no meio urbano, as possibilidades de utilização do transporte público enquanto espaço cênico, as relações entre o público e o artista em lugares e situações não convencionais.

ATO I - Mas não devia.

Cansado de se acostumar com as relações naturalizadas da vida, um operário entra no ônibus convidando o público a uma reflexão, numa narrativa lúdica e poética tenta estabelecer um lugar diferente para ver e falar de acontecimentos tidos como banais em nosso cotidiano.






Coragem

CORAGEM

Estreou em 2014

Montagem inspirada no texto Mãe Coragem e Seus Filhos de Bertolt Brecht com uma releitura das manifestações Brasileiras e da realidade de Contagem/MG. O enredo narra a história de uma mãe que puxa sua carroça entre rebeliões e manifestações. Numa cidade em estado de barbárie, ela vê uma forma de comercio e acaba perdendo seus filhos para a mesma guerra da qual depende para sobreviver.

Coragem é um manifesto cênico provocado pelas manifestações que se iniciaram no Brasil em junho/2013. Nesta montagem o foco da Cia. Crônica foi reunir interessados em compartilhar o fazer teatral dialético buscando formas de colocar manifestações das contradições de Contagem/MG em cena e nas ruas. O texto "Mãe Coragem e Seus Filhos" de Bertolt Brecht, serviu como norteador do processo de construção e do enredo que se desenvolve em narrativa épica com assuntos relacionados a situação social e politica da cidade e do pais num momento de grandes manifestações e suas consequências. 


ELENCO: Daniela Graciere, Everton Henrique, Fabiane Elise, Flávia Aniceto, Jessé Duarte, Raissa Vieira, Ricardo Silva (Fai), Thiago Amador, Tobias Santos Teixeira, Val Alváres.
DIREÇÃO MUSICAL: Tobias Santos Texeira
PREPARAÇÃO FÍSICA: Daniela Graciere E Thiago Amador
DRAMATURGIA: Marcelo Dias Costa, Daniela Graciere e Jessé Duarte
DIREÇÃO: Jessé Duarte
PROGRAMAÇÃO











Cabeça de Porco





Ficha Técnica
Espetaculo criado coletivamente, equipe de concepção e criação:
Dramaturgia: Rogério Coelho e Jessé Duarte
Direção: Carlos Henrique
Orientação de direção: Cida Falabella
Elenco: Angelo Dias, Diego Possa e Michelle Sá
Preparação corporal: Rogério Gomes
Preparação vocal: Rubens Aredes
Produção executiva: Patricia Matos, Sinara Teles e Epaminondas Reis
Coordenação estudo sociológico: Filipe Raslan
Equipe Técnica:
Cenário e Figurino: Marco Paulo Rolla
Adereços: Myrian Menezes
Costureira: Adelaide

Sinopse
Cabeça de Porco é um espetáculo experimental que traz no roteiro uma discussão sobre o progresso e suas conseqüências na sociedade atual. Esse espetáculo é resultado de um processo de investigação criativa realizada pelo Grupos Trama, Cóccix Companhia Teatral e Cia. Crônica.



CABEÇA DE PORCO é um espetáculo experimental, construído a partir uma criação colaborativa dos grupos Trama, Cóccix Companhia Teatral e Crônica, com direção de Carlos Henrique e orientação de direção de Cida Falabella. O espetáculo faz parte das atividades da Terceira Edição do  Projeto Grupos em Trama, desenvolvido pelo Grupo Trama, desde o ano de 2007.

O espetáculo estreia em 2011 realizando temporadas na região de Venda Nova (BH) e Bairros Industrial e Fonte Grande (Contagem) locais de atuação da Cóccix e Crônica, respectivamente. Após isso circula por cidades do interior de Minas Gerais.

O projeto foi realizado com recursos do Fundo Estadual de Cultura de Minas Gerais.



O Processo

Para a realização da terceira edição do Projeto Grupos em Trama, os grupos participantes propuseram realizar um projeto que aliasse à prática artística uma reflexão sobre a relação dos grupos com o local onde atuam.    O fio condutor do trabalho foi a relação dos grupos com a comunidade onde estão inseridos.   A proposta é fazer com que o grupo discuta e perceba as várias possibilidades da ocupação e uso de espaços em sua própria comunidade, ou sede.

Nesse processo, antes de iniciar os trabalhos de montagem, todos os componentes dos grupos participaram de um estudo com orientação do sociólogo Felipe Raslan, que, durante cinco meses, visitou ações desenvolvidas pelos grupos que atuam em três regiões periféricas da região metropolitana de Belo Horizonte: Venda Nova, Cidade Industrial e bairro Fonte Grande ? Contagem.

A partir das ações dos grupos, foram feitos estudos teóricos que auxiliaram os grupos a pensar a atuação nas comunidades onde estão inseridos. Após o período de estudos, os grupos montaram o espetáculo Cabeça de Porco com base nas discussões estabelecidas.











Estômago



ESPETÁCULO DE CRIAÇÃO COLETIVA I Elenco: Jessé Duarte, Kaká Pimentta e Warlen Dimas I Direção: Jessé Duarte I Dramaturgia: Rogério Coelho I Preparação Vocal: Nil Duarte I Preparação Corporal: Robson Nunes I Iluminação: José Reis I Execução Musical: Rogério Coelho e elenco I Trilha Sonora: Criação Coletiva I Fotografia: Ricardo Malagoli e Tavos Mata Machado I Vídeo: Ricardo Malagoli e Diego David.



Estômago é resultado de um processo de criação coletiva da Cia. Crônica de Teatro. Estreou em janeiro de 2011 em uma temporada itinerante pela cidade de Belo Horizonte e região. Com direção de Jessé Duarte que também compõe o elenco, a montagem traz em cena Kaká Pimentta e Warlen Diamas, além de Rogério Coelho que faz a da execução musical também e assina a dramaturgia.


O espetáculo narra o cotidiano de uma fabrica que produz transformações e traz a tona de forma crítica e bem humorada, uma reflexão sobre os acontecimentos históricos e sociais relacionados à vida do trabalhador brasileiro. Num lugar estranho onde é proibida a entrada de comida e papel higiênico, alguns operários recebem os novos funcionários recém contratados. Em meio aos treinamentos são produzidos acontecimentos comuns do nosso cotidiano e escapam alguns absurdos invisíveis aos olhos da alienação gerada pelo trabalho. Enquanto isso é carnaval e tudo pode parar a qualquer momento, para dar passagem a algo de novo que esta para acontecer.



Apropriada pela ideologia dominante, a transformação é um produto em alta do mercado, é o princípio corrente das indústrias. Elas nasceram para transformar. Dá certo! Transformam matéria prima em produtos; frutas em sucos; minério em aço; brinquedos em desejos; aço em peças; peças em carros; horas em dinheiro; cultura em mercadoria; trabalhadores em horas; horas em trabalho; horas em dinheiro; trabalho em aço; aço em dinheiro; dinheiro em dinheiro.

SOBRE A MONTAGEM DO ESPETÁCULO ESTÔMAGO


A montagem do espetáculo Estômago trousse para o grupo, a urgência e a necessidade de entender o momento atual historicamente. Para projetar um futuro menos alienante e mortificante, em cena foram buscadas formas populares e acessível de expor uma realidade onde as relações estão submetidas a uma analise de classe onde existem interesses opostos sempre. As relações de opressão e exploração capitalista são trazidas à tona para serem entendidas dentro de uma perspectiva histórica em movimento constante.

O teatro épico-dialético, estudos e fundamentos de Bertolt Brecht serviram de referências para expor o cotidiano dos trabalhadores e suas contradições. A Cia. Crônica realiza seus trabalhos em meio à periferia industrial de Belo Horizonte e a poluição, o barulho das maquinas das fabricas e multinacionais que invadem constantemente a sala de ensaio foram provocações imediatas que interferiram diretamente na criação do espetáculo.


Dentro do processo de criação, o teatro de Brecht se mostrou atual por apontar caminhos que permitem o ator a expor um olhar crítico sobre a realidade em que esta inserido. Por isso se tornou ferramenta indispensável para criação do grupo. A força de seu pensamento dialético abre uma possibilidade de revelar as contradições do mundo atual, onde o completo relativismo sobre todas as coisas tem se tornado um freio para ações coletivas.

A montagem do espetáculo e sua temporada de estréia são realizadas com os benefícios do Fundo Municipal de Cultura da Lei Municipal de Incentivo a Cultura de Belo Horizonte. Em 2010 foi realizado um ensaio aberto seguidos de debate no projeto Grupo em Trama, (Idealizado pelo grupo trama de Teatro) que reúne grupos e artistas interessados em discutir o fazer teatral compartilhado. No mesmo ano realizou uma apresentação de Pré-estréia a convite da FAE/UFMG (Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerias) dentro do Ciclo de Conferencias Socialismo e Educação.



CONCEPÇÃO


Bom, tomamos a liberdade de chamar este texto de conversa. Sim, porque a concepção deste espetáculo é ainda um exercício, e nada melhor para se organizar as idéias do que uma boa conversa. A concepção do espetáculo como exercício? Talvez isso seja uma contradição: “conceber” é o ato de deixar pronto, e “exercício” é uma prática da repetição. Há algo estranho aí. Entendendo que não se pode repetir o que já está pronto, o mesmo produto, o mesmo bebê ou a mesma idéia. Então, temos uma contradição. Que bom! Pois tratem de achar algo no mundo que não é contraditório; algo que não tenha em si mesmo o seu contrário. Se acharem... e achar a não-contradição de alguma coisa que “exista” revela uma mega viagem hiper-ultra-espacial ao centro da terra dos filósofos de plantão – eu disse Platão? Não! Pois, se acharem vão brigar com Heráclito, Hegel, Marx, Brecht e outros tantos mais que ponderaram seu tempo sobre isso. Citamos esses aí porque foram alguns dos quais orientaram de perto nosso trabalho. Eles falaram da contradição, ou melhor, da dialética. Sim, uma peça de teatro é um produto, está pronta, mas pronta para seu recomeço. Pronta para a transformação.




O espetáculo Estômago apresenta uma fábrica que produz transformações. “Transformação é um produto em alta no mercado” como alerta o operário Zé na entrada do teatro, coisa muito comum do processo de industrialização. É o princípio corrente das indústrias, elas nasceram para transformar. Dá certo! Transformam matéria prima em produtos; frutas em sucos; minério em aço; brinquedos em desejos; aço em peças; peças em carros; horas em dinheiro; cultura em mercadoria; trabalhadores em horas; horas em trabalho; horas em dinheiro; trabalho em aço; aço em dinheiro; dinheiro em dinheiro.




Por que o teatro não poderia se apropriar da mais nobre arma do capitalismo? A mais-valia, ou melhor, o excedente de horas exploradas sobre o tempo real necessário para pagar os custos produção, que se apresenta de forma muito clara na peça com a proposta de que ela seja dividida; transformada em sonho, fantasia, desejo, vida e essência para os operários, quem a coloca nas mãos dos poderosos. Pretensioso, não?! Como delimitar tão friamente riqueza e pobreza; patrão e operário; capitalismo e socialismo?! O capitalismo, como vários estudos apontam, toma uma forma cada dia mais destradicionalizante. A ponto de não conseguirmos ver uma classe média, que viaja de avião mas não ganha o suficiente pra carne e pro pão.. lailá laiá... o patrão que está cada vez mais distante, e eu só vejo o coitado do chefe pedante... ou o pobre operário, que compra ação sonhando em ser sócio ultra-minoritário... laiá laiá... É verdade, dá até samba. Enfim, como usar da arma mais conhecida de Brecht no teatro, o distanciamento, para dizer que a opressão e exploração no trabalho não são comuns. Como bem nos fala o Roberto Shwartz em uma conversa com a Cia do Latão, em Sampa nos idos de 2001, “corremos o risco de alguém nos dizer: e daí? So what?”. Não basta hoje apenas mostrar que não é natural as formas desumanas com que os trabalhadores são tratados. A eficácia do distanciamento estaria comprometida. A opção de termos expectadores-operários na peça é uma tentativa de aproximar as formas simbólicas do trabalho do grande público, e dar-lhes a chance de desfrutar dos bens do capital, ritmados aos sambas, à vibração da liberdade na folia do carnaval, à poesia da linguagem teatral como forma de gozar dos bens gerados pelas forças de trabalho.


Antes! A liberdade. Liberdade da alienação do trabalho. É pouco para a luta de classes? Sim, mas nossa conversa aqui é sobre o exercício. Exercício das formas, de todas que entendem a apropriação política do teatro como a base para a transformação. “formas novas”, desde sempre, ou mais especificamente desde Tchekhov ouvimos e praticamos o “novo” no teatro. Pensamos, com espetáculo Estômago, que o “novo” seja o exercício de enxergar as contradições. Pois, essa repetição pode alimentar... bem, pode alimentar!


Este é um ponto em que gostaríamos de tocar: comida. Uma fábrica onde não se pode entrar comida tem alguma estranheza comum aos nossos olhos. Também fato de contradição, pois as empresas de hoje tratam muito bem dos estômagos dos funcionários (sem ironia!). Sabemos que estão nos achando irônico, pois é impossível não sê-lo. O absurdo não é a proibição. A proibição é apenas um símbolo dos muito artifícios gerados pelas empresas para a coerção criativa dos funcionários. Ao contrário, as empresas precisam manter vivos seus trabalhadores. Interessa-lhes a vida deles, nada mais. É preciso, aliás, alimentá-los bem. Mas, tragédia pouca é bobagem. Por pouco perderíamos o gosto em apresentar essa estranheza, a de ter uma fábrica sem comida, pois sabendo que greves foram feitas pelos trabalhadores da construção da mega Cidade Administrativa de Minas Gerais, justamente por falta de comida, ou comida estragada.





Como vêm, o exercício de falar desta concepção é eterno. Há uma vontade de explicitar as tentativas de estabelecer a dialética nas cenas; apresentá-las de forma fácil e de bom entendimento; reavaliando e sempre restando dúvidas sobre a melhor forma. Há uma ânsia de mostrar a sensibilidade de uma personagem que acompanha as cenas narrando um dia de trabalho sob uma linguagem sensível; sob o paralelo de sua vida e relação com a natureza que é transformada a cada momento, justamente para mostrar, escancarar, que nada no mundo do trabalho é natural, mas construído, mal tratado, mastigado e engolido pelas relações de opressão e exploração.



Ainda nem falamos de outras saídas mais praticas deste mar de inacabamentos; das praticas de narração que experimentamos; das cenas mais duras ou das mais poéticas; da poesia fundamental; da folia do carnaval, que nos alimenta para o trabalho desgastante e sem dinheiro (e muitas vezes sem comida mesmo). Que a cultura vira mercadoria nós já falamos, só não aprendemos com as empresas como extrair lucro disso. O inacabamento é mesmo o carro chefe dessa folia. É preciso gozar cinco dias de carnaval, cinco meses de processos, cinco(enta) anos de circulação, se não. Não tem conversa nem concepção.

FOTOS